BELFERRÃO.
Venho cego de verdade,
Que não puderão soffrer
Meus olhos a claridade.
SOSEA.
Oh triste, que vengo ciego
Con rayos, y con visiones!
Y destas encantaciones,
Si nuestra casa arde en fuego,
Han se de arder mis colchones.
AURELIO.
Vamos a Amphitrião
Contar-lhe cousas tamanhas.
AMPHITRIÃO.
Que vai lá? que cousas vão? [{381}]
AURELIO.
Maravilhas tão estranhas,
Que me treme o coração.
Porque aquelle homem, que assi
Tantos enganos teceo,
Como era cousa do Ceo,
Tanto qu'eu appareci,
Logo desappareceo.
E em desapparecendo
Com ruido grande e horrendo,
Toda a casa allumiou;
E de arte nos inflammou,
Que nos vimos acolhendo
Do raio que nos cegou.
Estes acontecimentos
Não são de humana pessoa.
Vós ouvis a voz que soa?
Escutae, estae attentos;
Vejamos o que pregôa.