Lição vulgar. Não he menos notavel esta corrupção: corrigimos:

Que das montanhas erguidas
Algum monstro não sahisse.

P. 453. V. 20. Se tanto amasse.] Lição vulgar; mas aqui ha vicio de texto, porque falta a clareza, com que o poeta sempre costuma exprimir-se. Corrigimos:

Se eu tanto amasse. [{509}]

Pag. 467. V. 12.

Que quando por accidente
Da fortuna desastrado
Fosse apartado da gente
N'um lugar onde somente
Das feras fosse guardado:
E por ferro, fogo e ágoa
Buscar minha morte iria.
]

Lição vulgar. Mas a corrupção de texto não póde ser mais visivel. Comtudo não difficil atinar-se com o sentido do poeta.

Acaba de dizer Dionysa a Filodemo que tomára ver-se dalli cem mil leguas, pelo perigo que corria a sua honestidade. Responde-lhe este, que isso desejava tambem elle que succedesse; porque nesse caso teria occasião de fazer por ella uma fineza, que fosse mais de agradecer; e vem a ser, que quando ella por algum caso da fortuna fosse apartada da gente n'um deserto onde não tivesse por guarda, senão as feras; por ferro, fogo e ágoa lá iria elle buscar a sua morte. E porque não póde ser outro o sentido do poeta, corrigimos:

Que quando por accidente
A fortuna desastrada
Vos apartasse da gente
N'um deserto, onde somente
Das feras fosseis guardada;
Lá por ferro, fogo e ágoa
Buscar minha morte iria etc.

P. 475. L. 20. Que estas cidras não se desistem em nove dias, senão em nove mezes.] Lição vulgar. Não ha maior corrupção de texto. Que tem as cidras que desistir? Que o poeta não disse um tal absurdo, he fóra de toda a dúvida. O que elle disse foi isto: