PRINCIPE.
Leocadio, se es avisado,
E não te falta saber,
Saber-me-has dar a entender,
Quem ama desesperado,
Que fim espera de haver?
PAGEM.
Senhor, não.
Mas porém porque razão
Lhe avem sabê-lo, ou de que?
PRINCIPE.
Pergunto-te a conclusão;
Não me perguntes porque. [{268}]
Porque he minha pena tal,
E de tão estranho ser,
Que me hei de deixar morrer;
E por não cuidar no mal
O não ouso de dizer.
Que maneira de tormento
Tão estranho e evidente,
Que nem cuidar se consente!
Porque o mesmo pensamento
Ha medo do mal que sente.
PAGEM.
Não entendo a Vossa Alteza.
PRINCIPE.
Assi importa á minha dor.