De Phormião Philoſopho elegante
Vereis como Anibal eſcarnecia,
Quando das artes bellicas diante
Delle com larga voz trataua & lia:
A diſciplina militar preſtante
Não ſe aprende ſenhor na fantaſia
Sonhando, imaginando, ou eſtudando,
Se não vendo, tratando, & pelejando.
Mas eu que falo humilde, baxo, & rudo
De vos não conhecido, nem ſonhado?
Da boca dos pequenos ſey com tudo,
Que o lauuor ſae as vezes acabado,
Nem me falta na vida honesto eſtudo
Com longa eſperiencia misturado,
Nem engenho, que aqui vereis preſente,
Couſas que juntas ſe achão raramente.
Pera ſeruiruos braço aas armas feito,
Pera cantaruos mente aas Muſas dada,
So me falece ſer a vos aceito,
De quem virtude deue ſer prezada:
Se me iſto o ceo concede, & o voſſo peito
Dina empreſa tomar de ſer cantada,
Como a preſaga mente vaticina,
Olhando a voſſa inclinação diuina.
Ou fazendo que mais que a de Meduſa,
A viſta voſſa tema o monte Atlante,
Ou rompendo nos campos da Ampeluſa
Os muros de Marrocos & Trudante,
A minha ja eſtimada & leda muſa,
Fico, que em todo o mundo de vos cante,
De ſorte que Alexandro em vos ſe veja,
Sem aa dita de Achiles ter enueja.