—Mas porque desespera? disse a ingleza. Tenha animo, e tudo se hade arranjar. Pela minha parte, oxalá pudesse contribuir para a completa felicidade desta familia, a quem devo tantos e tamanhos benefícios.

—Benefícios!

—E que outra cousa são os seus carinhos, a protecção que me tem dado, a confiança...

—Está bom, está bom, interrompeu affectuasamente a baroneza; falemos de outra cousa.

—Della, não é? Diz-me o coração que com alguma paciencia tudo se alcançará. Todos os meios se hão de tentar; e todos elles são bons se se trata de fazer a felicidade sua e della. Bem está o que bem acaba, disse um poeta nosso, homem de juizo. Por em quanto só vejo um obstaculo: a pouca disposição...

—Só esse?

—Que outro mais?

—Talvez outro, disse a baroneza abaixando a voz; póde ser que não, mas tão infeliz sou neste meu desejo, que hade vir a ser obstaculo, talvez.

—Mas que é?

—Um homem, um moço, não sei quem, sobrinho da mestra que foi de Guiomar... Ella mesma contou-me tudo ha pouco.