—Emfim? perguntou Estevão.
—Emfim pedes-me um sacrificio, concluiu rindo o advogado, por que também eu já a namorisquei... Não é preciso carregares o sobr'olho; foi namoro de visinho, tentativa que durou pouco mais de vinte e quatro horas. Com vergonha o digo, ella não me prestou uma migalha de attenção sequer, e eu voltei aos meus autos.
—Então... gostas della? perguntou Estevão.
—Acho-a bonita e nada mais. Aquillo foi um lançar barro á parede; se acceitasse, casava-me; não acceitou...
—Já vês que somos differentes.
—Queres, então?...
—Um serviço de amigo.
—Bem, disse por fim Luiz Alves, faça-se a tua vontade. A baroneza vai cuidar agora de um processo e mandou-me falar. Eu passo-te a prebenda; entrarás alli, como advogado, o que de alguma maneira me tira um peso da consciência.
Estevão, que só pedia um pretexto, acceitou a offerta com ambas as mãos, e agradeceu-lh'a com tão expansiva ternura, que fez sorrir o outro.
A promessa cumpriu-se pontualmente. Luiz Alves apresentou Estevão á baroneza, na seguinte noite, como seu companheiro e amigo, como advogado capaz de zelar os interesses da illustre cliente. A recepção, foi geralmente boa, salvo por parte de Guiomar, que pareceu aborrecida de o ver naquella casa. Quando Estevão a saudou, como quem a conhecia de longo tempo, ella mal pode retribuir-lhe o cumprimento; em todo o resto da noite não lhe deu palavra. Daquella parte o acolhimento não podia ser peior; mas Estevão sentia-se feliz, desde que vel-a, respirar o mesmo ar, nada mais pedindo por ora, e deixando o resto á fortuna.