—A experiencia da vida, concluiu ella, devia ter-me convencido de que o melhor de todos os sentimentos é um egoismo quieto e calado.

Em quanto ella falava assim, Guiomar parecia volver a tranquilidade habitual. A mudança foi,—não súbita,—mas um pouco mais rapida do que devera ser, tratando-se de um espirito, como o della, em que as impressões não eram superficiaes nem momentaneas. Havia até uns toques de affabilidade no rosto e na voz, quando ella começou, a falar, o que revelaria talvez ser aquella mudança muito voluntaria e meditada.

—Está bom, Mrs. Oswald, o que passou, passou. Sinto que as cousas chegassem a este ponto, e que elle se lembrasse de escrever semelhante carta, confessando uma paixão que acredito sincera, mas a que o meu coração não póde corresponder. Amores não se encommendam como vestidos: sobretudo não se fingem, ou não se devem fingir nunca.

—Oh! decerto!

—Eu gosto delle, como parente que é de minha madrinha, e também por que ella lhe tem affeição de mãe, como a mim; somos uma especie de irmãos, nada mais.

—Tem muita razão, assentiu Mrs. Oswald. A senhora pensa e fala como um doutor. Que se lhe ha de fazer? Quem não ama não ama. Delle é que eu tenho pena!

—Gosta muito de mim, não? perguntou Guiomar fitando os olhos na ingleza.

—Oh! parece que sim! A senhora deve sabel-o tanto como eu; eu sei o que tenho visto, e creio que é muito.

—Eu nunca vi nada, respondeu seccamente Guiomar.

A resposta de Mrs. Oswald foi um sorriso de incredulidade, que a outra não viu ou não quiz ver. Houve uma pausa; Guiomar continuou nestes termos: