—Mas seja como for, a minha resposta é negativa. Estou que elle não me fará a injuria de querer casar commigo, sem que eu o ame...

Guiomar parou, como a esperar, que a outra lhe dissesse alguma cousa. Desta vez coube a Mrs. Oswald não responder nada, nem com a voz nem com o gesto. A moça inclinou o corpo poz os braços sobre os joelhos, com os dedos cruzados, e entre um riso amavel e um olhar affectuoso, continuou:

—A senhora podia, se acaso elle alguma vez lhe falou nisso ou vier a falar-lhe, podia dissuadi-lo de taes ideias, dizendo-lhe simplesmente, a verdade e dando-lhe conselhos, os conselhos que a senhora hade saber dar, e que elle aceitará de certo, porque é um bom coração, um caracter estimavel...

—Oh! excellente! um moço excellente!

E as duas ficaram a olhar uma para a outra, Guiomar a sorrir, mas de um sorriso, que era uma contracção voluntaria dos musculos, e a ingleza a fazer um rosto de piedade, e adoração, e pena, e muita cousa junta, que a moça só começou a comprehender, quando ella rompeu o silencio deste modo:

—Estou a duvidar se devo dizer-lhe o resto.

—O resto? perguntou Guiomar admirada. Pois que ha mais?

A ingleza approximou a cadeira. Guiomar endireitou o busto e esperou anciosa a revelação,—se revelação era,—que lhe ia fazer Mrs. Oswald. Esta não falou logo; era razoavel hesitar um pouco, lutar comsigo mesma, antes de dizer alguma cousa. Emfim, com um movimento de quem ajunta as forças todas e as emprega em cousa superior á coragem usual:

—D. Guiomar, disse ella, pegando-lhe nas mãos, ninguem póde exigir que se case sem amar o noivo; seria na verdade uma affronta. Mas o que lhe digo é que o amor que não existe por ora, póde vir mais tarde, e se vier, e se viesse seria uma grande fortuna...

—Mas acabe, acabe, interrompeu a moça com impaciencia.