—Seria uma grande fortuna para a senhora, para elle, ouso dizer que para mim, que os estimo e adoro, mas sobretudo para a Sra. baroneza.
—Como assim? disse Guiomar.
—Oh! para elle seria a maior fortuna da vida, porque é hoje o seu mais entranhado e vivo desejo, o seu desejo verdadeiramente da alma. A senhora...
—Está certa disso?
—Certissima.
—Não creio, não vejo nada que...
—Creia, deve crer. Se me promette nada dizer desta nossa conversa, nem fazer suspeitar por nenhum modo o que lhe estou contando...
—Fale.
—Pois bem,—continuou Mrs. Oswald abaixando a voz, como se alguem podesse ouvil-a na solidão daquella alcova, e no silencio, profundo daquella casa, que toda dormia,—pois bem, eu lhe direi que por ella mesma tive noticia deste seu desejo. Quando eu percebi a paixão do Sr. Jorge, falei nisso a sua madrinha, gracejando na intimidade que ella me permitte, e a senhora baroneza em vez de sorrir, como eu esperava que fizesse, ficou algum tempo pensativa e séria, até que rompeu nestas palavras: «Oh! se Guiomar gostasse delle e viessem a casar-se, eu seria completamente feliz. Não tenho hoje outra ambição na terra. Ha de ser a minha campanha.»
—Minha madrinha disse isso? perguntou Guiomar.