—Para a roça!

—Disse-o agora mesmo a baroneza.

—Mas...

Luiz Alves não acabou; olhou ainda meio duvidoso para Estevão, e ficou algum tempo calado, a coçar o queixo com a faca de marfim e a olhar para uma gravura que pendia na parede fronteira.

—Na situação em que estou, continuou Estevão, has de dizer que a viagem é uma felicidade para mim. Pois não é; não admitto a viagem. Se ella sair da côrte, eu saio também.

—Tu estás doudo!

—Talvez.

Luiz Alves saiu daquella natural indifferença com que o ouvia, e lhe falava sempre em tal assumpto. Falou-lhe carinhoso,—talvez pela primeira vez na vida. O que lhe disse foi apenas ume edição augmentada de que lhe havia dito em anteriores occasiões,—agora com maior fundamento, porque depois do formal desengano de Guiomar, não havia outro recurso mais que ir esquecel-a de todo.

—Oh! isso nunca! interrompeu Estevão. Demais, não sei, não estou certo se ella falava de coração naquella tarde...

A candidez com que Estevão disse isto era a fiel traducção de seu espirito, e a razão de taes palavras, não a procure o leitor em outra parte mais que não seja aquelle sorriso de ha pouco, ao pé do carro, sorriso que lhe bailava no cerebro, como raio de sol coado por entre nuvens negras de tempestade.