Mrs. Oswald calou-se como quem reflectia. Logo depois expoz uma serie de argumentos e considerações, se não graves em substancia, pelo menos nas roupas com que ella os vestia, umas roupas seriamente britannicas, como as não talharia melhor a melhor tesoura da camara dos communs. Toda ella dava ares de um argumento vivo e sem réplica. Havia em seus cabellos, entre louro e branco, toda a rigidez de um syllogismo; cada narina parecia uma ponta de um dilemma. A conclusão de tudo é que nada estava perdido, e que a felicidade de Jorge era cousa não só possivel, mas até provavel, uma vez que a baroneza mostrasse,—era o essencial,—certa resolução de animo muito util e até indispensavel naquella occasião. Mrs. Oswald offerecia-se para ir chamar a moça immediatamente.

—Pois vá, vá, disse a baroneza.

A ingleza saiu d'alli e foi ter com Guiomar. Quando a viu de longe compoz um sorriso, e Guiomar, vendo-a sorrir, sentiu como que um movimento interno de repulsa.

—Venho buscal-a, disse Mrs. Oswald, para uma cousa que a senhora está longe de imaginar.

Guiomar interrogou-a com olhos.

—Para casar!

—Casar! exclamou Guiomar sem comprehender a intenção da mensageira.

—Nada menos, respondeu esta. Admira-se, não? Tambem eu; e sua madrinha egualmente. Mas ha quem tenha o mau gosto de apaixonar-se por seus bellos olhos, e a affronta de a vir pedir, como se se podissem as estrellas do ceu...

Guiomar comprehendeu de que se tratava. Olhou desdenhosamente para a ingleza, e disse em tom secco e breve:

—Mas, conclua, Mrs. Oswald.