—Ah! É verdade; sim; chamei-te. Senta-te aqui.
Guiomar arrastou a cadeira que ficava mais proxima e sentou-se ao pé da baroneza. Esta, entretanto, havia dobrado lentamente a carta, e tinha os olhos no chão, como a procurar por onde começaria. Quando os levantou deu com a ingleza. Ia já a falar, mas estacou. A affeição que lhe tinha não impediu que achasse demasiada familiaridade a presença de Mrs. Oswald em semelhante occasião. Esperou alguns instantes; mas como a ingleza parecesse inteiramente distrahida:
—Mrs. Oswald, disse a baroneza, vá ver se ja deram de comer aos passarinhos.
A ingleza percebeu que estes passarinhos, naquelle caso, eram uma pura metaphora, e que a baroneza nada mais fazia do que pedir-lhe delicadamente que se fôsse embora. Todavia, não se deu por achada.
—Parece-me que não, disse ella; vou já saber disso.
—Olhe, disse a baroneza quando ella já ia a meio caminho; encoste-me essas portas, e dê ordem para que ninguem nos interrompa.
A ingleza obedeceu e saiu. A careta que fez ao sair ninguem lh'a pôde ver, e não se perdeu nada.
As duas ficaram sós.
—Senta-te aqui, Guiomar, disse a baroneza indicando um banquinho que lhe ficava aos pés.
Guiomar deixou a cadeira e foi sentar-se no banquinho, pousando amorosamente os braços nos joelhos da madrinha. Esta cingiu-lhe a cabeça com as mãos, e assim esteve longo tempo sem falar, mas eloquente naquella mudez, em que a palavra pertencia ao coração. Ambas estavam commovidas; e Guiomar, de envolta com um suspiro, murmurou este unico e doce nome: