—Mamãe!
Era a primeira vez que ella lhe dava este nome, e tão fundo lhe calou na alma á baroneza que a resposta foi cobril-a de beijos.
—Sim, tua mãe, disse a madrinha; a que te deu o ser não te amaria mais do que eu. Tens a alma e a ternura da filha que o ceu me levou, e se todas as mães que perdem filhos podessem substituil-os do mesmo modo, desapparecia do mundo a maior e mais cruel dor que ha nelle...
A resposta de Guiomar foi apertar-lhe as mãos e beijar lh'as. Seguiu-se uma pausa, em que a commoção a pouco e pouco desappareceu, e a baroneza olhou para a carta de Luiz Alves, amarrotada pelo gesto de Guiomar.
—Guiomar, disse ella emfim, já reflectiste no pedido de hontem á noite?
A moça esperava que a madrinha lhe falasse no pedido de Luiz Alves; a pergunta da baroneza desnorteou-a um pouco. Sua intelligencia, porém, era clara e sagaz; a resposta foi outra pergunta:
—Uma noite será bastante para decidir de todo o resto da vida? disse ella sorrindo.
—Tens razão, minha filha; mas a pergunta era natural da parte de quem quer ver realizado um desejo. Jorge pediu-te em casamento. Sabes que é um excellente caracter?
—Excellente, respondeu a moça.
—Uma boa alma, continuou a baroneza, e um moço distincto. Parece gostar muito de ti, segundo disse hontem, não? É natural; só me admira que não te amem muitos mais.