A baroneza acabára de falar. A alegria do rosto de Guiomar confirmou a sua primeira impressão, e se a escolha era contraria ao que ella desejava, a satisfação da afilhada pagou-lhe tudo quanto ella ira perder. Era assim aquella alma de mãe; boa, dedicada e generosa.

—Oh! madrinha! obrigada! exclamou a moça. Não me fica odiando?

—Oh! exclamou a baroneza com um tom de reprehensão.

E puxou-a para si, e abraçou-a com amor. Guiomar correspondeu ao movimento, e as duas confundiram as suas alegrias intimas e affeições sinceras.

Mrs. Oswald viu-as dahi a pouco, risonhas e entendidas. Era facil concluir qual dos dous pretendentes vencera; Guiomar não receberia de tão boa cara o sobrinho da baroneza. Tudo estava acabado; e talvez que a sua propria pessoa padecêra naquelle lance ultimo. A baroneza pedira a Guiomar que lhe explicasse a que padecimentos alludíra, mas a moça preferiu não dizer nada, não só por não affligir a madrinha, como por não dar um aspecto de rivalidade á situação entre ella e Mrs. Oswald.

A escolha estava feita, o consentimento dado. A baroneza respondeu nessa mesma tarde ao pretendente feliz. Estevão teria manifestado ruidosamente toda a alegria que semelhante resposta lhe causára; sua alma apaixonada e exuberante contaria a Deus e aos homens aquella immensa fortuna; Luiz Alves encerrou o prazer, aliás grande, dentro de si; pensou na moça e no futuro alguns instantes, mas não falou delles a ninguém.

A baroneza escreveu nesse mesmo dia ao sobrinho, communicando-lhe a resposta de Guiomar. Os leitores não terão difficuldade de admittir que o coração de Jorge não sentiu o golpe profundamente, mas sentiu alguma cousa. Não foi nessa noite á casa da tia; não foi tembem na segunda; na terceira chegou a descer as escadas; na quarta embicou para Botafogo.

—Tudo está acabado, disse-lhe a tia verdadeiramente sentida.

—Acabado! suspirou Jorge.

—Agora, é preciso animo; espero que serás homem.