—Oh! serei homem! suspirou outra vez Jorge.

E dous suspiros, arrancados do peito de um homem tão grave, deviam ser por força dous suspiros gravissimos, como facilmente acredita o leitor.

Effectivamente a physionomia do moço não tinha abatimento nem afflicção; não a amarrotava o menor vestigio de noite mal dormida, menos ainda de lagrimas enxutas. Alegre não era, mas grave e austera, como elle a trazia sempre, a contrastar com o retezado do bigode.

A baroneza imaginou comtudo que a dor do sobrinho devia te-lo mortificado muito; apertou-lhe as mãos com ternura e disse-lhe ainda algumas palavras de animação.

Imagine-se o que seria o primeiro encontro de Jorge com Guiomar. A moça estava serena, talvez risonha e até compassiva. Se tivesse de casar com elle odiara-o de certo; agora já lhe perdoava o amor. Jorge pela sua parte não deixou de ficar um tanto abalado, em parte commoção, em parte constrangimento, sendo porém o constrangimento maior do que a commoção. Nos labios pairou-lhe um desses sorrisos em que o olhar penetrante do povo ou a sua imaginação pintoresca descobriu a côr amarella. Se outro fosse o aspecto, é provavel que ella lhe conservasse, ao menos, o respeito. Mas aquelle sorriso perdeu-o de todo no animo de Guiomar.

Na primeira occasião que se lhe offereceu, expandiu-se Jorge com Mrs. Oswald.

—Perdeu-se tudo... murmurou elle.

A ingleza não respondeu.

Jorge continuou ainda a falar, e a ingleza e ouvir, mas a ouvir só, e a querer divertil-o daquelle assumpto.

—Tudo se perdeu, disse emfim o sobrinho da baroneza, talvez por culpa sua.