[XCV]
O papa.
A amizade de Escobar fez-se grande e fecunda; a de José Dias não lhe quiz ficar atraz. Na primeira semana disse-me este em casa:
—Agora é certo que você vae sair já do seminario.
—Como?
—Espere até amanhã. Vou jogar com elles que me chamaram; amanhã, lá no quarto, no quintal, ou na rua, indo á missa, conto-lhe o que ha. A ideia é tão santa que não está mal no santuario. Amanhã, Bentinho.
—Mas é cousa certa?
—Certíssima!
No dia seguinte revelou-me o mysterio. Ao primeiro aspecto, confesso que fiquei deslumbrado. Trazia uma nota de grandeza e de espiritualidade que falava aos meus olhos de seminarista. Era não menos que isto. Minha mãe, ao parecer delle, estava arrependida do que fizera, e desejaria ver-me cá fóra, mas entendia que o vinculo moral da promessa a prendia indissoluvelmente. Cumpria rompel-o, e para tanto valia a Escriptura, com o poder de desligar dado aos apostolos. Assim que, elle e eu iriamos a Roma pedir a absolvição do papa... Que me parecia?