Minha mãe, entre lagrimas:
—Mano Cosme, é a cara do pae, não é?
—Sim, tem alguma cousa, os olhos, a disposição do rosto. É o pae, um pouco mais moderno, concluiu por chalaça. E diga-me agora, mana Gloria, não foi melhor que elle não teimasse em ser padre? Veja se este peralta daria um padre capaz.
—Como vae o meu substituto?
—Vae indo, ordena-se para o anno, respondeu tio Cosme. Has de ir ver a ordenação; eu tambem, se o meu senhor coração consentir. É bom que te sintas na alma do outro, como se recebesses em ti mesmo a sagração.
—Justamente! exclamou minha mãe. Mas veja bem, mano Cosme, veja se não é a figura do meu defuncto. Olha, Bentinho, olha bem para mim. Sempre achei que te parecias com elle, agora é muito mais. O bigode é que desfaz um pouco...
—Sim, mana Gloria, o bigode realmente... mas é muito parecido.
E minha mãe beijava-me com uma ternura que não sei escrever. Tio Cosme, para alegral-a, chamava-me doutor, José Dias tambem, e todos em casa, a prima, os escravos, as visitas, Padua, a filha, e ella mesma repetiam-me o titulo.