A senhora que me disse isto cuido que gostou de mim, e foi naturalmente por não achar da minha parte correspondencia aos seus affectos que me explicou daquella maneira os seus olhos teimosos. Outros olhos me procuravam tambem, não muitos, e não digo nada sobre elles, tendo aliás confessado a principio as minhas aventuras vindouras, mas eram ainda vindouras. Naquelle tempo, por mais mulheres bonitas que achasse, nenhuma receberia a minima parte do amor que tinha a Capitú. A minha propria mãe não queria mais que metade. Capitú era tudo e mais que tudo; não vivia nem trabalhava que não fosse pensando nella. Ao theatro iamos juntos; só me lembra que fosse duas vezes sem ella, um beneficio de actor, e uma estréa de opera, a que ella não foi por ter adoecido, mas quiz por força que eu fosse. Era tarde para mandar o camarote a Escobar; saí, mas voltei no fim do primeiro acto. Encontrei Escobar á porta do corredor.
—Vinha falar-te, disse-me elle.
Expliquei-lhe que tenha saido para o theatro, donde voltára receioso de Capitú, que ficára doente.
—Doente de que? perguntou Escobar.
—Queixava-se da cabeça e do estomago.
—Então, vou-me embora. Vinha para aquelle negocio dos embargos...
Eram uns embargos de terceiro; occorrera um incidente importante, e, tendo elle jantado na cidade, não quiz ir para casa sem dizer-me o que era, mas já agora falaria depois...
—Não, falemos já, sóbe; ella póde estar melhor. Se estiver peor, desces.
Capitú estava melhor e até boa. Confessou-me que apenas tivera uma dor de cabeça de nada, mas aggravára o padecimento para que eu fosse divertir-me. Não falava alegre, o que me fez desconfiar quo mentia, para me não metter medo, mas jurou que era a verdade pura. Escobar sorriu e disse:
—A cunhadinha está tão doente como você ou eu. Vamos aos embargos.