[LXXI]
Visita de Escobar.
Em casa, tinham já mentido dizendo a minha mãe que eu voltára e estava mudando de roupa.
«A missa das oito já ha de ter acabado... Bentinho devia estar de volta... Teria acontecido alguma cousa, mano Cosme?... Mandem ver...» Assim falava ella, de minuto a minuto, mas eu entrei e commigo a tranquillidade.
Era o dia das boas sensações. Escobar foi visitar-me e saber da saude de minha mãe. Nunca me visitára até alli, nem as nossas relações estavam já tão estreitas, como vieram a ser depois; mas sabendo a razão da minha saida, tres dias antes, aproveitou o domingo para ir ter commigo e perguntar se continuava o perigo ou não. Quando lhe disse que não, respirou.
—Tive receio, disse elle.
—Os outros souberam?
—Parece que sim: alguns souberam.
Tio Cosme e José Dias gostaram do moço; o aggregado disse-lhe que vira uma vez o pae no Rio de Janeiro. Escobar era muito polido; e, comquanto falasse mais do que veiu a falar depois, ainda assim não era tanto como os rapazes da nossa edade; naquelle dia achei-o um pouco mais expansivo que de costume. Tio Cosme quiz que jantasse comnosco. Escobar reflectiu um instante e acabou dizendo que o correspondente do pae esperava por elle. Eu, lembrando-me das palavras do Gurgel, repeti-as:
—Manda-se lá um preto dizer que o senhor janta aqui, e irá depois.