Flora estendeu-lhe o pulso; elle, com ar profundo:

—Está; febre de quarenta e sete grãos, a mão está ardendo, mas isto mesmo prova que não é nada, porque aquellas viagens fazem-se com as mãos frias. Ha de ser constipação, fale a sua mãe.

—Mamãe não cura.

—Póde curar, ha remedios caseiros; em todo caso, peça-lhe, e ella póde mandar chamar um medico.

—Medico dá tizanas, e eu não gósto de tizanas.

—Nem eu, mas tolero-as. Porque não experimenta a homoeopathia, que não tem gosto, como a allopathia?

—Qual é a que lhe parece melhor?

—A melhor? Só Deus é grande.

Flora sorriu, de um sorriso pallido, e o conselheiro percebeu algo que não era tristeza de passagem ou de creança. Novamente lhe falou de Petropolis, mas não insistiu. Petropolis era a aggravação do momento actual.

—Petropolis tem o mal das chuvas, continuou. Eu, se fosse a senhora, saía desta casa e desta rua; vá para outro bairro, casa amiga, com sua mãe ou sem ella...