—Não os vendo, esquece-os, pensou elle; e se na visinhança houver alguem que pense em gostar della, é possivel que acabe casando.

Respondeu a ambas, na mesma noite, dizendo-lhes que na quinta-feira iria almoçar com ellas. A D. Claudia escreveu mandando-lhe a carta da irmã, e foi passar a noite em casa de Natividade, a quem deu a ler as cinco cartas. Natividade approvou tudo. Notava só que os filhos não lhe escreviam, e deviam estar desesperados.

—A Santa Casa cura, e a Bibliotheca Nacional tambem, retorquiu Ayres.

Na quinta feira, Ayres desceu e foi almoçar a Andarahy. Achou-as como as tinha lido nas cartas. Interrogou-as separadamente para ouvir por bôca as confissões do papel; eram as mesmas. D. Rita parecia ainda mais encantada. Talvez a causa recente fosse a confidencia que fez a moça, na vespera. Como falassem de cabellos, D. Rita referiu o que tambem consta do cap. XXXII, isto é, que cortára os seus para os metter no caixão do marido, quando o levaram a enterrar. Flora não a deixou acabar; pegou-lhe das mãos e apertou-as muito.

—Nenhuma outra viuva faria isto, disse ella.

Aqui foi D. Rita que lhe pegou nas mãos, pôl-as sobre os seus hombros, e concluiu o gesto por um abraço. Todas as pessoas louvaram-lhe a abnegação do acto; esta era a primeira que a achou unica. E dahi outro abraço longo, mais longo...


[CAPITULO C]

Duas cabeças

Tão longo foi o abraço que tomou o resto ao capitulo. Este começa sem elle nem outro. O mesmo aperto de mão de Ayres e Flora, se foi demorado, tambem acabou. O almoço fez gastar algum tempo mais que de costume, porque Ayres, além de conversador emerito, não se fartava de ouvir as duas, principalmente a moça. Achava-lhe um toque de languidez, abatimento ou cousa proxima, que não encontro no meu vocabulario.