—Esperemos que o futuro chegue, comquanto me pareça muito demorado. Não nego as qualidades daquelle homem, parece bom, e trata-me bem, mas eu não quero casar, D. Rita.

—Realmente, a edade... Mas nem, ao menos, quer pensar alguns dias?

—Está pensado.

D. Rita ainda esperou um dia. A resposta negativa, dado que Flora viesse a mudar de opinião, podia ser uma desgraça para esta. Uso os proprios termos della, comsigo, grande desgraça, posição esplendida, sentimento profundo. D. Rita ia aos extremos, deante daquelle rico-homem dos ultimos annos do seculo.


[CAPITULO CIV]

A resposta

Não querendo dar a resposta nua e crua, D. Rita consultou a moça, que lhe respondeu simplesmente:

—Diga que não pretendo casar.

Quando Nobrega recebeu as poucas linhas que D. Rita lhe mandou, ficou assombrado. Não contava com recusa. Ao contrario, era tão certa a acceitação que elle tinha já um programma do noivado. Imaginava a moça, os olhos timidos, a bôca cerrada, o veu que lhe cobriria a linda carinha, a delicadeza delle, as palavras que lhe diria entrando em casa. Tinha já composto uma invocação á Mãe Santíssima, para que os fizesse felizes. «Dou-lhe carro, dizia comsigo, joias, muitas joias, as melhores joias do mundo... » Nobrega não fazia ideia exacta do mundo; era uma expressão. «Hei de dar-lhe tudo, sapatinhos de seda, meias de seda, que eu mesmo lhe calçarei...» Estremecia de cór, ao calçar-lhe as meias. Beijava-lhe os pés e os joelhos.