—Amigos para todo sempre?

—Sim.

—Não quero outras saudades. Estas sómente, a amizade verdadeira, e que se não quebre nunca mais.

Natividade ainda conservou as mãos delles presas, sentiu-as tremulas de commoção, e esteve calada alguns instantes.

—Posso morrer tranquilla.

—Não, mamãe não morre, interromperam ambos. Parece que a mãe quiz sorrir a esta palavra de confiança, mas a bôca não respondeu á intenção, antes fez um tregeito que assustou os filhos. Paulo correu a pedir soccorro. Santos entrou desorientado no quarto, a tempo de ouvir á esposa algumas palavras suspiradas e derradeiras. A agonia começou logo, e durou algumas horas. Contadas todas as horas de agonia que tem havido no mundo, quantos seculos farão? Desses terão sido tenebrosos alguns, outros melancolicos, muitos desesperados, raros enfadonhos. Emflm, a morte chega, por muito que se demore, e arranca a pessoa ao pranto ou ao silencio.



ÍNDICE
[I] —Cousas futuras!
[II] —Melhor de descer que de subir
[III] —A esmola da felicidade
[IV] —A missa do coupé
[V] —Ha contradicções explicaveis
[VI] —Maternidade
[VII] —Gestação
[VIII] —Nem casal, nem general
[IX] —Vista de palacio
[X] —O juramento
[XI] —Um caso unico!
[XII] —Esse Ayres
[XIII] —A epigraphe
[XIV] —A licção do discipulo
[XV] —Teste David cum Sibylla
[XVI] —Paternalismo
[XVII] —Tudo o que restrinjo
[XVIII] —De como vieram crescendo
[XIX] —Apenas duas.—Quarenta annos. Terceira causa
[XX] —A joia
[XXI] —Um ponto escuro
[XXII] —Agora um salto
[XXIII] —Quando tiverem barbas
[XXIV] —Robespierre e Luiz XVI
[XXV] —D. Miguel
[XXVI] —A luta dos retratos
[XXVII] —De uma reflexão intempestiva
[XXVIII] —O resto é certo
[XXIX] —A pessoa mais moça
[XXX] —A gente Baptista
[XXXI] —Flora
[XXXII] —O aposentado
[XXXIII] —A solidão tambem cança
[XXXIV] —Inexplicavel
[XXXV] —Em volta da moça
[XXXVI] —A discordia não é tão feia como se pinta
[XXXVII] —Desaccordo no accordo
[XXXVIII] —Chegada a proposito
[XXXIX] —Um gatuno
[XL] —Recuerdos
[XLI] —Caso do burro
[XLII] —Uma hypothese
[XLIII] —O discurso
[XLIV] —O salmão
[XLV] —Musa, canta...
[XLVI] —Entre um acto e outro
[XLVII] —S. Matheus, IV, 1-10
[XLVIII] —Terpsichore
[XLIX] —Taboleta velha
[L] —O tinteiro de Evaristo
[LI] —Aqui presente
[LII] —Um segredo
[LIII] —De confidencias
[LIV] —Emfim, só!
[LV] —«A mulher é a desolação do homem»
[LVI] —O golpe
[LVII] —Das encommendas
[LVIII] —Matar saudades
[LIX] —Noite de 14
[LX] —Manhã de 15
[LXI] —Lendo Xenophonte
[LXII] —«Pare no D.»
[LXIII] —Taboleta nova
[LXIV] —Paz!
[LXV] —Entre os filhos
[LXVI] —O basto e a espadilha
[LXVII] —A noite inteira
[LXVIII] —De manhã
[LXIX] —Ao piano
[LXX] —De uma conclusão errada
[LXXI] —A commissão
[LXXII] —O regresso
[LXXIII] —Um El-Dorado
[LXXIV] —A allusão do texto
[LXXV] —Proverbio errado
[LXXVI] —Talvez fosse a mesma!
[LXXVII] —Hospedagem
[LXXVIII] —Visita ao marechal
[LXXIX] —Fusão, diffusão, confusão...
[LXXX] —Transfusão, emfim
[LXXXI] —Ai, duas almas...
[LXXXII] —Em S. Clemente
[LXXXIII] —A grande noite
[LXXXIV] —O velho segredo
[LXXXV] —Trez constituições
[LXXXVI] —Antes que me esqueça
[LXXXVII] —Entre Ayres e Flora
[LXXXVIII] —Não, não, não
[LXXXIX] —O dragão
[XC] —O ajuste
[XCI] —Nem só a verdade se deve ás mães
[XCII] —Segredo acordado
[XCIII] —Não ata nem desata
[XCIV] —Gestos oppostos
[XCV] —O terceiro
[XCVI] —Retraimento
[XCVII] —Um Christo particular
[XCVIII] —O medico Ayres
[XCIX] —A titulo de ares novos...
[C] —Duas cabeças
[CI] —O caso embrulhado
[CII] —Visão pede meia sombra
[CIII] —O quarto
[CIV] —A resposta
[CV] —A realidade
[CVI] —Ambos quaes?
[CVII] —Estado de sitio
[CVIII] —Velhas cerimonias
[CIX] —Ao pé da cova
[CX] —Que vôa
[CXI] —Um resumo de esperanças
[CXII] —O primeiro mez
[CXIII] —Uma Beatriz para dous
[CXIV] —Consultorio e banca
[CXV] —Troca de opiniões
[CXVI] —De regresso
[CXVII] —Posse das cadeiras
[CXVIII] —Cousas passadas, cousas futuras
[CXIX] —Que annuncia os seguintes
[CXX] —Penultimo