Santos afiou o ouvido neste ponto, lembrando-se das «cousas futuras». Ayres disse ainda algumas palavras bonitas, e accrescentou outras feias, admittindo que a briga podia ser prenuncio de graves conflictos na terra; mas logo temperou esse conceito com este outro:
—Não importa; não esqueçamos o que dizia um antigo, que «a guerra é a mãe de todas as cousas». Nia minha opinião, Empedocles, referindo-se á guerra, não o fez só no sentido technico. O amor, que é a primeira das artes da paz, póde-se dizer que é um duello, não de morte, mas de vida,—concluiu Ayres sorrindo leve, como falava baixo, e despediu-se.
[CAPITULO XV]
Teste David cum Sibylla
—E então? disse Santos. Não é que o conselheiro, em vez de aprender, ensina-nos? Eu acho que elle deu algumas razões boas.
—Quando menos, plausiveis, completou mestre Placido.
—Foi pena que se despedisse, continuou Santos, mas felizmente o meu caso é com o senhor. Venho consultal-o, e as suas luzes são as verdadeiras do mundo.
Placido agradeceu sorrindo. Não era novo o elogio, ao contrario; mas elle estava tão acostumado a ouvil-o que o sorriso era já agora um sestro. Não podia deixar de pagar com essa moeda aos seus discipulos.
—Trata-se...