—Para os outros é egualmente inutil, mas eu nasci para servir, ainda inutilmente. Baroneza, o seu pedido equivale a nomear-me aio ou preceptor... Não faça gestos; não me dou por diminuido. Comtanto que me pague os ordenados... E não se assuste; peço pouco, pague-me em palavras; as suas palavras são de ouro. Já lhe disse que toda a minha acção é inutil.
—Porque?
—É inutil.
—Uma pessoa de autoridade, como o senhor, póde muito, comtanto que os ame, por que elles são bons, creia. Conhece-os bem?
—Pouco.
—Conheça-os mais e verá.
Ayres concordou rindo. Para Natividade valia por uma tentativa nova. Confiava na acção do conselheiro, e para dizer tudo... Não sei se diga... Digo. Natividade contava com a antiga inclinação do velho diplomata. As cans não lhe tirariam o desejo de a servir. Não sei quem me lê nesta occasião. Se é homem, talvez não entenda logo, mas se é mulher creio que entenderá. Se ninguem entender, paciencia; baste saber que elle prometteu o que ella quiz, e tambem prometteu calar-se; foi a condição que a outra lhe poz. Tudo isso polido, sincero e incredulo.