Durante sete dias passou uma vida inquieta e aborrecida, espiando a mulher e gastando em casa grande parte do tempo. No oitavo dia, veiu uma carta.

—Para mim? disse elle vivamente.

—Não; é para mim, respondeu Maria Olympia, lendo o sobrescripto; parece letra de Mariana ou de Lulú Fontoura...

Não queria lel-a; mas o marido disse que a lesse; podia ser alguma noticia grave. Maria Olympia leu a carta e dobrou-a, sorrindo; ia guardal-a, quando o marido desejou ver o que era.{261}

—Você sorriu, disse elle gracejando; ha de ser algum epigramma commigo.

—Qual! é um negocio de moldes.

—Mas deixa ver.

—Para que, Eduardo?

—Que tem? Você, que não quer mostrar, por algum motivo ha de ser. De cá.

Ja não sorria; tinha a voz tremula. Ella ainda recusou a carta, uma, duas, tres vezes. Teve mesmo ideia de rasgal-a, mas era peior, e não conseguiria fazel-o até o fim. Realmente, era uma situação original. Quando ella viu que não tinha remedio, determinou ceder. Que melhor occasião para ler no rosto d'elle a expressão da verdade? A carta era das mais explicitas; fallava da viuva em termos crús. Maria Olympia entregou-lh'a.