Tristão, a quem falei da doação de Santa-Pia, não me confiou os seus motivos secretos; disse-me só que Fidelia vae assinar o documento amanhã ou depois. Estavamos no Carceller tomando café. Ouvi-lhe tambem dizer que recebeu cartas de Lisboa, duas politicas; instam por elle. Quiz saber se acudiria ao chamado, mas o gesto com que elle via subir o fumo do charuto parecia mirar tão somente a noiva, o altar e a felicidade; não ousei passar adeante.
Saindo do Carceller, ouvi-lhe que ia fazer uma encomenda; talvez algum presente para a noiva, mas não me disse o que era, nem o destino. Falou-me, sim, da madrinha e da amizade que ella lhe tem; ao que redargui, confirmando:
—Posso dizer-lhe que é grande.
—É grande e antiga.
Contou-me então o que eu já sei, anedotas da infancia e da adolescencia, e nisto me entreteve andando alguns minutos largos; parece-me realmente bom e amigo. A idade em que foi daqui e o tempo que tem vivido lá fora dão a este moço uma pronuncia mesclada do Rio e de Lisboa que lhe não fica mal, ao contrario. Despedimo-nos á porta de um ourives; hade ser alguma joia.
28 de Abril.
Lá se foi Santa-Pia para os libertos, que a receberão provavelmente com danças e com lagrimas; mas tambem pode ser que esta responsabilidade nova ou primeira...
6 de Maio.