Entrámos e enfiámos por um caminho entre campas, naturalmente. A alguma distancia, Rita deteve-se.

—Você conhece, sim. Já a viu lá em casa, ha dias.

—Quem é?

—É a viuva Noronha. Vamos embora, antes que nos veja.

Já agora me lembrava, ainda que vagamente, de uma senhora que lá apareceu em Andarahy, a quem Rita me aprezentou e com quem falei alguns minutos.

—Viuva de um medico, não é?

—Isso; filha de um fazendeiro da Parahyba do Sul, o barão de Santa-Pia.

Nesse momento, a viuva descruzava as mãos, e fazia gesto de ir embora. Primeiramente espraiou os olhos, como a ver se estava só. Talvez quizesse beijar a sepultura, o proprio nome do marido, mas havia gente perto, sem contar dous coveiros que levavam um regador e uma enxada, e iam falando de um enterro daquella manhã. Falavam alto, e um escarnecia do outro, em voz grossa: «Eras capaz de levar um daquelles ao morro? Só se fossem quatro como tu.» Tratavam de caixão pezado, naturalmente, mas eu voltei depressa a atenção para a viuva, que se afastava e caminhava lentamente, sem mais olhar para traz. Encoberto por um mausoleu, não a pude ver mais nem melhor que a principio. Ella foi descendo até o portão, onde passava um bonde em que entrou e partiu. Nós descemos depois e viemos no outro.

Rita contou-me então alguma cousa da vida da moça e da felicidade grande que tivera com o marido, alli sepultado ha mais de dous annos. Pouco tempo viveram juntos. Eu, não sei por que inspiração maligna, arrisquei esta reflexão:

—Não quer dizer que não venha a cazar outra vez.