—Aquella não caza.

—Quem lhe diz que não?

—Não caza; basta saber as circumstancias do cazamento, a vida que tiveram e a dor que ella sentiu quando enviuvou.

—Não quer dizer nada, pode cazar; para cazar basta estar viuva.

—Mas eu não cazei.

—Você é outra cousa, você é unica.

Rita sorriu, deitando-me uns olhos de censura, e abanando a cabeça, como se me chamasse «peralta». Logo ficou seria, porque a lembrança do marido fazia-a realmente triste. Meti o caso á bulha; ella, depois de aceitar uma ordem de ideias mais alegre, convidou-me a ver se a viuva Noronha cazava commigo; apostava que não.

—Com os meus sessenta e dous annos?

—Oh! não os parece: tem a verdura dos trinta.

Pouco depois chegámos a casa e Rita almoçou commigo. Antes do almoço, tornámos a falar da viuva e do cazamento, e ella repetiu a aposta. Eu, lembrando-me de Goethe, disse-lhe: