—Pois irei tomar chá.
—Vá, se quer, mas não faça isso, é o meu conselho. Ainda que não chova, sempre haverá humidade, e para reumatismo...
—Mas D. Carmo tem saido, creio.
—Tem, e pode-se dizer que está boa. Apezar disso, já hoje não saiu, por cousa do tempo. Vá, se quer; eu no seu caso não saía.
Aguiar não disse mais nada, e despediu-se. Pareceu-me (ou foi ilusão) que elle queria acrescentar alguma cousa e não acabou de querer. Não sei que seria. Não sentisse eu mesmo algum medo da humidade e iria vel-os á noite, mas a humidade é certa, e creio que a chuva tambem. Fico em casa. Se aparecer algum enxadrista, jogarei xadrez; se apenas jogar cartas, cartas. Se não vier ninguem, atiro-me a compôr um poema de cabeça.
6 de Outubro.
Mana Rita, Mana Rita
Foi a ultima visita,
e o resto do poema em prosa, que a minha musa não dá para mais. Foi assim que o compuz, não na outra noite, a de 3, mas na de hoje, 6, depois de levar a mana a Andarahy. Apareceu-me aqui de manhã. Já outros, amigos e até indiferentes, me tinham visitado, como aquelle Dr. Faria, que me deixou lembranças da mulher, e o corretor Miranda, que tambem m'as trouxe da sua. Tristão esteve cá ante-hontem, e eu saí á tarde e hontem de manhã. Estou bom, nem por isso deixei de lhe chamar ingrata. Rita confessou-me que ha mais de tres semanas não sae de casa para ver se tinha um irmão que se lembrasse della.
—Tinha e tem, retorqui-lhe, mas um irmão que só agora convaleceu de todo.