Contei-lhe a dôr e a reclusão. Rita, que a principio não queria crer e ria, acabou convencida e contristada. Censurou-me naturalmente; eu disse-lhe que continuava a guardal-a para a doença mortal e ultima. Assim trocámos muitas palavras amigas e doces, algumas alegres. Corno lhe perguntasse se estivera com a gente Aguiar ou com a familia Campos, respondeu-me que não. Se fosse a uma daquellas casas teria sabido do meu incomodo, e não receberia a noticia aqui, acrescentou.
—Então você não sabe nada do projeto de ir á fazenda? perguntei-lhe.
—Projeto de quem?
—Da viuva Noronha.
—Ir á fazenda?
—Sim, ir a Santa-Pia, para ver como andam lá as cousas; parece que os libertos estão abandonando a roça. Foi o que me disse o tio da viuva.
—Não ouvi dizer nada. Ha perto de um mez que não saio de casa. Mas o tio por que não vae?
—O tio vae, mas é com ella; a sobrinha quer a companhia delle, mas só a companhia, parece, não quererá tambem a colaboração. Vão pelas ferias. Eu não comprenhendo esta necessidade de ir ella mesma, quando era melhor um homem.
Rita quiz ir saber da propria Fidelia. Ponderei-lhe que era indiscreto, e faria crer da nossa parte alguma curiosidade. Saiu a voltas, e tornou. Confesso uma cousa; depois que a vi sair imaginei se teria ido saber da viuva ou dos amigos a verdadeira causa da viagem, e disse-lh'o ao jantar. Ella ficou séria e abanou a cabeça. Se me tem jurado que não, é provavel que me enterrasse o espinho da duvida, mas falou com simplicidade, e nomeou as visitas que fez. Uma dellas foi a D. Carmo.
—Carmo está sã como um pêro, disse-me; recebeu-me rindo como só ella sabe rir, um rir de dentro, tão simples, tão franco... Falámos de Fidelia, falamos de Tristão, ella com a ternura e amizade que você já lhe tem visto.