—De certo, mano. A disposição, o arranjo, a combinação, tudo era de mulher. Ha dessas cousas que mão de homem não faz; mão de homem é pesada ou trapalhona, e mais se é de desembargador, como elle. Por exemplo, o nome do marido, o nome proprio só, não todo, estava cercado de perpetuas; isto é cousa que só uma senhora inventa e faz. As outras flores, rosas e papoulas, distribuiam-se com tal simetria que pediu tempo e gosto. Um homem chegava ali pegava das flores e espalhava-as á toa.

—Admira que você a não visse.

—É que foi muito cedo.

—Mas n'um dia como o de hoje, tendo tanta cousa que arranjar. Daquella vez que a encontramos era mais tarde.

—Era, mas o dia era outro; hoje havia muita gente, não quiz que a vissem, é o que foi.

Mana Rita desenvolveu esta ideia, que achei aceitavel; depois falou de outros jazigos. Como dos jazigos passamos ao ministerio e a D. Cesaria não me lembra, mas falámos delle e della com interesse, e a mana com graça. Tinham estado juntas as duas, hontem á tarde; Rita desculpara-se de não ter lá ido no dia 28. Contou-me parte do que lhe ouviu ácerca de duas pessoas que lá estiveram...

—Que lá estiveram?

—Parece que sim.

E entrou a repetir uma serie de anedotas e ditos, que ouvi durante uns dez minutos, com atenção. A maledicencia não é tão mau costume como parece. Um espirito vadio ou vazio, ou ambas estas cousas acha nella util emprego. E depois, a intenção de mostrar que outros não prestam para nada, se nem sempre é fundada, muita vez o é, e basta que o seja alguma vez para justificar as outras. Disse isto a Rita por palavras graciosas, que ella reprovou e deitou á conta da minha perversidade.