9 de Novembro.

A marinha interrompeu a paizagem, ou de todo a poz de lado. Fidelia consentiu em ir pintar um trecho da praia do Flamengo, não sei se com Tristão ou sem elle. Aguiar, que me deu a noticia, limitou-se a dizer que ella já começou a tela com muito gosto.

—Vá lá amanhã, conselheiro, entre uma e duas horas.


11 de Novembro.

Não fui hontem, fui hoje ver a marinha. Achei Fidelia no jardim, junto da casa, com o pincel e a palheta nas mãos, os olhos no mar e na tela, em pé. Ao lado, sentada, estava D. Carmo, com o seu riso bom e maternal. Viu-me á porta do jardim, e fez um gesto convidando-me a entrar; entrei.

—Venha, disse ella, ande ver a minha artista.

Fidelia pareceu vexada com estas palavras, e estendeu-me a mão, já livre do pincel, dizendo:

—Não olhe, não olhe que não presta.

Olhei, prestava. Está ainda em começo, e não será obra-prima; a polidez obrigava-me a achal-a excelente, e disse-lh'o, com um gesto de admiração; mas, em verdade, presta. O fundo, serra e ceu, faz bom efeito; a agua creio que terá movimento e boa côr. Faltava Tristão; não vi nem sombra do «filho pintado pela filha». Posto não extranhasse a ausencia, lembrou-me insinual-a. Disse-lhe que podia pôr na praia a figura da boa amiga, que ali estava a acompanhal-a com os seus dous olhos amigos. Esta ia a dizer alguma cousa, mas Fidelia replicou: