Emquanto eu fazia commigo mesmo aquella reflexão, entrou na loja um sujeito baixo, sem chapeu, trazendo pela mão uma menina de quatro annos.

—Como passou de hoje de manhã? disse elle a Marcella.

—Assim, assim. Vem cá, Maricota.

O sujeito levantou a criança pelos braços e passou-a para dentro do balcão.

—Anda, disse elle; pergunta a D. Marcella como passou a noite. Estava anciosa por vir cá, mas a mãe não tinha podido vestil-a... Então, Maricota? Toma a benção. .. Olha a vara de marmelo! Assim... Não imagina o que ella é lá em casa; falla na senhora a todos os instantes, e aqui parece uma pamonha. Ainda hontem... Digo, Maricota?

—Não, diga, não, papae.

—Então foi alguma cousa feia? perguntou Marcella batendo na cara da menina.

—Eu lhe digo; a mãe ensina-lhe a rezar todas as noites um padre-nosso e uma ave-maria, offerecidos a Nossa Senhora; mas a pequena hontem veiu pedir-me com voz muito humilde... imagine o que?... que queria offerecel-os a Santa Marcella.

—Coitadinha! disse Marcella beijando-a.

—É um namoro, uma paixão, como a senhora não imagina ... A mãe diz que é feitiço...