Leitor obtuso, isso prova que nunca entraste no cerebro de um chapeleiro. Um chapeleiro passa por uma loja de chapeus; é a loja de um rival, que a abriu ha dois annos; tinha então duas portas, hoje tem quatro; promette ter seis e oito. Nas vidraças ostentam-se os chapeus do rival; pelas portas entram os freguezes do rival; e o chapeleiro compara aquella loja com a sua, que é mais antiga e tem só duas portas, e aquelles chapeus com os seus, menos buscados, ainda que de egual preço. Mortifica-se naturalmente; mas vae andando, concentrado, com os olhos para baixo ou para a frente, a indagar as causas da prosperidade do outro e do seu proprio atrazo, quando elle chapeleiro é muito melhor chapeleiro do que o outro chapeleiro... Nesse instante é que os olhos se fixam na ponta do nariz.
A conclusão, portanto, é que ha duas forças capitaes: o amor, que multiplica a especie, e o nariz, que a subordina ao individuo. Procreação, equilibrio.
[CAPITULO L]
Virgilia casada
—Quem chegou de S. Paulo foi minha prima Virgilia, casada com o Lobo Neves, continuou o Luiz Dutra.
—Ah!
—E só hoje é que eu soube uma cousa, seu maganão...
—Que foi?
—Que você quiz casar com ella.