—Ah! ver dansar a pyrrhica!
—Não, emendei eu, a pyrrhica já lá vai. Cada seculo, meu caro Alcibiades, muda de dansas como muda de ideias. Nos já não dansamos as mesmas cousas do seculo passado; provavelmente o seculo XX não dansará as d'este. A pyrrhica. foi-se, com os homens de Plutarcho e os numes de Hesiodo.
—Com os numes?
Repeti-lhe que sim, que o paganismo acabára, que as academias do seculo passado ainda lhe deram abrigo, mas sem-convicção, nem alma, que as mesmas bebedeiras arcadicas,
Evohé! padre Bassareu!
Evohé! etc.
honesto passatempo de alguns desembargadores pacatos, essas mesmas estavam curadas, radicalmente curadas. De longe em longe, accrescentei, um ou outro poeta, um o outro prosador allude aos restos da theogonia pagã, mas só o faz por gala ou brinco, ao passo que a sciencia reduziu todo o Olympo a uma symbolica. Morto, tudo morto.
—Morto Zeus?
—Morto.
—Dyonisos, Aphrodita?...
—Tudo morto.