11.—As duas mulheres, porém, chegaram-se a elles, chorando e acariciando-os, e via-se-lhes a dor do coração. Japhet e Sem não attendiam a nada, e estavam com os olhos no chão, medrosos de encarar seu pae.

12.—O qual disse: «Ora, pois, quero saber o motivo da briga.»

13.—Esta palavra accendeu o odio no coração de ambos. Japhet, porém, foi o primeiro que falou e disse:

14.—«Sem invadiu a minha terra, a terra que eu havia escolhido para levantar a minha tenda, quando as aguas houverem desapparecido e a arca descer, segundo a promessa do Senhor;

15.—«E eu, que não tolero o esbulho, disse a meu irmão: «Não te contentas com quinhentos covados e queres mais dez? «E elle me respondeu: «Quero mais dez e as duas margens do rio que ha de dividir a minha terra da tua terra.»

16.—Noé, ouvindo o filho, tinha os olhos em Sem; e acabando Japhet, perguntou ao irmão: «Que respondes?»

17.—E Sem disse: «—Japhet mente, porque eu só lhe tomei os dez covados de terra, depois que elle recusou dividir o rio em duas partes; e propondo-lhe ficar com as duas margens, ainda consenti que elle medisse outros dez covados nos fundos das terras delle,

18.—«Para compensar o que perdia; mas a iniquidade de Caim fallou nelle, e elle me feriu a cabeça, a cara e as mãos.»

19.—E Japhet interrompeu-o dizendo: «Porventura não me feriste tambem? Não estou ensanguentado como tu? Olha a minha cara e o meu pescoço; olha as minhas faces, que rasgaste com as tuas unhas de tigre.»

20.—Indo Noé fallar, notou que os dous filhos de novo pareciam desafiar-se com os olhos. Então disse: «Ouvi!» Mas os dous irmãos, cegos de raiva, outra vez se engalfinharam, bradando:—«De quem é o rio?»—«O rio é meu.»