[2]Maximiliano, quando estava em Miramar, costumava retratar photographicamente a archiduqueza, escrevendo por baixo do retrato: «La marchesa de Miramar.»
[3]Perdoem-me estes versos em francez; e para que de todo em todo não fique a pagina perdida aqui lhes dou a traducção que fez dos meus versos, o talentoso poeta maranhense Joaquim Serra:
É um velho paiz, de luz e sombras,
Onde o dia traz pranto, e a noite a scisma;
Um paiz do orações e de blasphemia,
N'elle a crença na duvida se abysma.
Ahi, mal nasce a flôr, o verme a corta,
O mar é um escarcéo, e o sol sombrio;
Se a ventura n'um sonho transparece
A suffoca em seus braços o fastio.
Quando o amor, qual sphynge indecifravel
Ahi vai a bramir, perdido o sizo...
Ás vezes ri alegre, e outras vezes
É um triste soluço esse sorriso...
Vive-se n'esse e paiz com a mágoa e o riso;
Quem d'lle se ausentou treme e maldiz;
Mas ai, eu n'elle passo a mocidade,
Pois é meu coração esse paiz!
[4]Os poetas postos n'esta colecção são todos contemporaneos. Encontrei-os no livro publicado em 1868 pela Sra. Judith Walter, distincta viajante que dizem conhecer profundamente a lingua chineza, e que os traduziu em simples e corrente prosa.
[5]É do Sr. Antonio Feliciano de Castilho a traducção d'esta odezinha, que deu lugar á composição do meu quadro. Foi immediatamente á leitura da Lyrica de Anacreonte, que eu tive a idéa de pôr em acção a ode do poeta de Teos, tão portuguezmente sahida das mãos do Sr. Castilho que mais parece original quo traducção. A concha não vale a perola; mas o delicado da perola disfarçará o grosseiro da concha.
[6]Simão de Vasconcellos não declara o nome da india, cuja acção refere em sua Chronica.
Achei que não foi o caso desta tamoya o unico em que tão galhardamente se manifestou a fidelidade conjugal e christã. O padre Anchieta, na carta escripta ao padre-mestre Laynez, a 16 de Abril de 1563, menciona o exemplo de uma india, mulher de um colono, a qual, depois de lh'o matarem os indios, caiu em poder destes, cujo Principal a quiz violentar. Ella resistiu e desapareceu. Os indios fizeram correr a voz de que se matára; Anchieta suppõe que elles mesmos lhe tiraram a vida. Caso analogo é referido pelo padre João Daniel (Thesouro descoberto no Amazonas, p. 2, cap. III); essa chamava-se Esperança e era da aldêa de Cabu.
[7]A villa de S. Vicente.
[8]Tinham os indios a religião monetheista que a tradicção lhes attribue? Nega-o positivamente o Sr. Dr. Conto de Magalhães em seu excellente estudo acerca dos selvagens, asseverando nunca ter encontrado a palavra Tupan nas tribus que frequentou, o ser admissivel a ideia de tal deus, no estado rudimentar dos nossos aborigenes.
O Sr. Dr. Magalhães restitue aos selvagens a theogonia verdadeira. Não integramente, mas só em relação ao sol e á lua. (Coaracy e Jacy), acho noticia della no Thesouro do padre João Daniel (citado em [1]); e o que então faziam os indios, quando apparecia a lua nova, me serviu á composição que vae incluida neste livro.