Sem embargo das razões allegadas pelo Sr. Dr. Magalhães, que todas são de incontestavel procedencia, conservei Tupan nos versos que ora dou a lume; fil-o por ir com as tradicções litterarias que achei, tradicções que nada valem no terreno da investigação scientifica, mas que tem por si o serem acceitas e haverem adquirido um como direito de cidade.

[9]É ocioso explicar em notas o sentido desta palavra e de outras, como pocema, mussurana, tangapema, kanitar, com as quais todo o leitor brasileiro está já familiarisado, graças ao uso que dellas teem feito poetas e prosadores. É tambem desnecessario fundamentar com trechos das chronicas a scena do sacrificio do prisioneiro, na estancia XI; são cousas comezinhas.

[10]Simão de Vasconcellos (Not. do Bras., liv. 2o.) citando Marcgraff e outros autores, conta, como verdadeira, a fabula a que alludem estes versos. Aproveitou-se d'alli uma comparação poetica: nada mais.

[11]Veja G. Dias, Ult. Cant., pag. 159:

... Quando meu corpo
Á terra, mãe commum...

[12]Anagé na lingua geral, quer dizer gavião.

[13]Tratando de descobrir a significação de Panenioxe, conforme escreve Rodrigues Prado, apenas achei no escasso vocabulario guaycurú, que vem em Ayres do Casal, a palavra nioxe traduzida por jacaré. Não pude accertar com a significação do primeiro membro da palavra, pane; ha talvez relação entre elle e o nome do rio Yppané.

[14]«Estas duas armas (lança e facão) tem sido tomadas aos portuguezes e hespanhóes, e algumas compradas a estes que inadvertidamente lh'as tem vendido.» (RODR. PRADO, Hist. dos Índios Cavalleiros.)

[15]Nanine é o nome transcripto na Hist. dos Índios Cavalleiros. Na lingua geral temos niani, que Martius traduz por infans. Esta fórma pareceu mais graciosa; e não duvidei adoptal-a, desde que o meu distincto amigo, Dr. Escragnolle Taunay, me asseverou que, no dialecto guaycurú, de que elle ha feito estudos, niani exprime a ideia de moça franzina, delicada, não lhe parecendo que exista a fórma empregada na monographia de Rodrigues Prado.

[16]Os Guaycurus dividem-se em nobres, plebeus ou soldados, e captivos. Do proprio texto que me serviu esta composição se vê a que ponto repugna aos nobres toda a alliança com pessoas de condição inferior.