A este proposito direi a anedocta que me foi referida por um distincto official da nossa armada, o capitão de fragata Sr. Henrique Baptista, que em 1857 esteve no Paraguay commandando o Japorá, entre o forte Coimbra e o estabelecimento Sebastopol. Ia muita vez a bordo do Japorá um chefe guaycurú, Capitãosinho, muito amigo da nossa officialidade. Tinha elle uma irmã, que outro chefe guaycurú, Lapagata, cortejava e desejava receber por espôsa. Lapagata recebêra o titulo de capitão das mãos do presidente de Matto-Grosso. Oppunha-se com todas as forças ao enlace o Capitãozinho. Um dia, perguntando-lhe o Sr. H. Batista por que motivo não consentia no casamento da irmã com Lapagata, respondeu o altivo Guaycurú:

—Oponho-me, porque eu sou capitão por herança de meu pae, que já o era por herança do pae delle. Lapagata é capitão de papel.

[17]As bocayuvas servem de alimento aos Guaycurús; nas proximidades de sazonarem os cocos fazem elles grandes festas. (Veja CASAL e PRADO).

[18]Taes eram os adornos das mulheres guaycurús. (Veja PRADO, CASAL e D'AZARA).

[19]«As moças ricas vão enfeitadas, como se ornariam para o proprio noivado.» (AIRES DO CASAL, Coroa., 280).

[20]Allude a um trecho do propheta Daniel:

«9.—E lavei-te na agua, e alimpei-te do teu sangue; e te ungi com um oleo;

«13.—E foste enfeitada de ouro e prata, e vestida de linho e de roupas bordadas, e de diversas cores; nutriste-te da farinha e de mel e de azeite, e foste mui aformoseada em extremo.» (DANIEL, XV)

[21]Rebecca, filha da Mesopotamia.

[22]Bento do Amaral Gurgel, que dirigiu a companhia de estudantes por occasião daquella e da seguinte invasão, em 1711.