[23]Angela pratica o inverso daquelle conselho attribuido aos rabbinos de Constantinopla, respondendo aos judeus de Hespanha que batisassem os corpos, conservando as almas firmes na Lei. Angela conserva o baptismo da alma, e entrega o corpo ao supplicio como se fosse verdadeiramente judeu. Nega a fé com os labios, confessando-a no coração: maneira de conciliar o sentimento christão e a piedade filial.

[24]A verdadeira pronúncia desta palavra é an-hanga. É outro caso em que fui antes com a maneira corrente e commum na poesia.

[25]Il y aurait une fort grande injustice à juger jésuites du seizième siècle et leurs travaux, d'après les idées que peut inspirer le système suivi dans les missions. Là on peut voir des projets ambitieux s'allier à des vues habiles: dans les premiers travaux exécutés par les pères de la compagnie, au Brésil, tout fut désintéressé; et au besoin, Le récit de leurs souffrances pourrait le prouver. (F. DENIS, Le Brésil.)

[26]Veja nota [8].

«... E na verdade tem occasiões em que festejam muito a lua, como quando apparece nova; porque então saem de suas choupanas, dão saltos de prazer, saudam-n'a e dão-lhe as boas vindas.» (JOÃO DANIEL, Thes. descob. no Amaz., part. II, cap. X)

[27]Não me recordo de haver lido nos velhos escriptos sobre os nossos aborigenes a crença que Montaigne lhes attribue acerca das almas boas e más. Este grande moralista tinha informações certamente exactas a respeito dos indios; e aquella crença traz certamente um ar de verossimilhança. Não foi só isso o que me induziu a fazer taes versos; mas tambem o que achei poetico e gracioso na abusão.

[28]Tinha planeado uma composição de dimensões maiores, e não a levei a cabo, por intervirem outros trabalhos, que de todo me divertiram a attenção. Foi o nosso eminente poeta e litterato Porto Alegre, hoje barão de Santo Angelo, que ha cerca de quatro annos, me chamou a attenção para a relação de Monterroyo Mascarenhas, Os Orizes conquistados, que vem na Rev. Inst. Hist., t. VIII.

A aspereza dos costumes daquelle povo, habitante do sertão da Bahia, cêrca de duzentas legoas da capital, sua rara energia, as circumstancias singulares da conquista e conversão da tribu, eram certamente um quadro excellente para uma composição poetica. Ficou em fragmento, que ainda assim não quis excluír do livro.

[29]«Lastimosamente cegos de discurso, reconhecem e adoram por deus a coruja, chamando na sua linguagem Oitipô-cupuaaba; e o motivo de sua adoração consiste na beneficio que recebem desta ave, que, naturalmente inimiga das cobras, numerosissimas naquelle paiz, as espia nos mattos, e lhes tira a vida.» (J. F. MONTERROYO MASCARENHAS, Os Orizes conquistados.)