Sophia retezou o busto.

—...Não se zangue; não desejo offendel-a; mas, deixe-me dizer que a senhora é que me tem enganado, e muito, e sem compaixão. Que ame a seu marido, vá; perdoava-lhe; mas que...

—Mas que? repetiu ella espantada.

Rubião metteu a mão no bolso, tirou a carta, e entregou-lh'a. Sophia, ao ler o nome de Carlos Maria, ficou sem pinga de sangue; elle viu-lhe a pallidez. Dominando-se logo, perguntou o que era, que queria dizer essa carta.

—A lettra é sua.

—É minha. Mas que diria eu aqui dentro? continuou tranquilla. Quem lhe deu isto?

Rubião quiz referir o achado; mas entendeu ter alcançado o bastante; cortejou-a para sair.

—Perdão, disse ella, abra o senhor mesmo a carta.

—Não tenho mais nada que fazer aqui.

—Fique, abra a carta, aqui a tem; leia tudo,—dizia a moça pegando-lhe na manga; mas, Rubião puxou violentamente o braço, foi buscar o chapéo, e sahiu. Sophia, com medo dos criados, deixou-se ficar na sala.