[CAPITULO CX]

Rubião fez os dous emprestimos e o negocio. O negocio era uma Empreza Melhoradora dos Embarques e Desembarques no porto do Rio de Janeiro. Um dos emprestimos tinha por fim pagar certa conta atrazada de papel da Atalaia, divida urgente. A folha estava ameaçada de parar.

—Perfeitamente, disse Camacho, quando Rubião lhe foi levar o dinheiro á casa. Muito obrigado. Veja você como, por uma miseria desta ordem, podia emmudecer o nosso orgão. São os espinhos naturaes da carreira. O povo não está educado; não reconhece, não apoia os que trabalham por elle, os que descem á arena todos os dias em defeza das liberdades constitutionaes. Imagine, que, de momento, não dispunhamos deste dinheiro, tudo estava perdido, cada um ia para os seus negocios, e as sãs ideias ficavam sem o seu leal expositor.

—Nunca! protestou Rubião.

—Tem razão; redobraremos de esforços. A Atalaia será como o Antheu da fabula. De cada vez que cair, erguer-se-ha com mais vida.

Dito isto, Camacho mirou o maço de notas. Um conto e duzentos, não? perguntou; e metteu-o no bolso do fraque. Continuou a dizer que estavam seguros agora, a folha ia de vento em popa. Tinha algumas reformas materiaes em vista; foi ainda mais longe.

—Precisamos desenvolver o programma, adeantar as ideias, dar um empurrão aos correligionarios, atacal-os, se fôr preciso...

—Como?

—Ora, como? atacando. Atacar é um modo de dizer; corrigir. É evidente que o orgão do partido está afrouxando. Chamo orgão do partido, porque a nossa folha é orgão das ideias do partido; comprehende a differença?