O piano continuava; Rubião notou-lhe esta circumstancia. Emquanto ouviam tocar, não viriam ter com elles.
—Mas eu é que não posso estar ausente tanto tempo, acudiu Sophia. Demais, tenho ordens que dar. Até já.
—Olhe, escute, insistiu Rubião.
Sophia parou.
—Escute; deixe-me dizer-lhe, e não sei se pela ultima vez...
—Pela ultima vez?
—Quem sabe? Pode ser que ultima. Importa-me pouco que esse homem viva ou não, mas posso achal-o aqui alguma vez, e não me sinto disposto a brigar.
—Hade encontral-o todos os dias. Christiano ainda lhe não disse o que ha? Vae casar com Maria Benedicta.
Rubião deu um passo para traz.
—Casam-se, continuou ella. O facto é de admirar, porque surgiu quando menos contavamos com isto;—ou eram muito fingidos,—ou foi cousa que lhes deu de repente. Casam-se. Maria Benedicta contou-me uma historia, que me foi confirmada por outra pessoa; mas, afinal, a historia é sempre a mesma. Gostaram um do outro, e adeus. Casam-se brevemente. Quando elle fallou a Christiano, Christiano respondeu que dependia de mim... Como se fosse mãe d'ella! Consentí logo, e desejo que sejam felizes. Elle parece bom rapaz; ella é excellente creatura; hão de ser felizes, por força. E bom negocio, sabe? Elle está de posse de todos os bens do pae e da mãe. Maria Benedicta não tem nada, em dinheiro; mas tem a educação que lhe dei. Hade lembrar-se que, quando veiu para minha companhia, era um bicho do matto; não sabia quasi nada; fui eu que a eduquei. Minha tia merecia tudo, e ella tambem. Pois, é verdade, casam-se muito breve. Não os viu hoje sempre juntos? Não ha ainda participação official; mas os intimos da familia podem saber. Casam-se, é verdade...