—Obrigada; peço-lhe então por Deus, por sua mãe, que está no ceu...

—Deve estar no ceu, confirmou Rubião. Era uma santa senhora! As mães são sempre boas; mas daquella, ninguem que a conheceu poderá dizer outra cousa senão que era uma santa. E prendada, como poucas. Que dona de casa! Hospedes, para ella, tanto fazia cinco como cincoenta, era a mesma cousa, cuidava de tudo a tempo e a hora, e criou fama. Os escravos davam-lhe o nome de Sinhá Mãe, porque era, realmente, mãe para todos. Deve estar no céu!

—Bem, bem, atalhou Sophia. Pois faça-me isto por amor de sua mãe; faz?

—Isto que?

—Apeiar-se aqui mesmo?

—E ir a pé para a cidade? Não posso. É scisma sua; ninguem nos vê. E depois estes seus cavallos são magnificos. Já reparou como atiram as patas, lentamente, plás... plás... plás... plás...

Cançada de pedir, Sophia calou-se, cruzou os braços e coseu-se ainda mais, se era possivel, ao cantinho do carro.

—Agora me lembro, pensou ella; mando parar á porta do armazem do Christiano; digo-lhe o modo por que este homem se introduziu no coupé, os pedidos que lhe fiz o as respostas que me deu. Antes isso que fazel-o apear mysteriosamente em qualquer rua.

Entretanto, Rubião estava quieto. De vez em quando volvia no dedo o annel de brilhante,—um solitario explendido. Não olhava para ella, não lhe dizia nem pedia nada. Iam como um casal de aborrecidos. Sophia começava a não entender que razão o teria levado a entrar no carro. Necessidade de transporte não podia ser. Vaidade, tambem não; fechára as cortinas, á sua primeira queixa de publicidade. Nenhuma palavra amorosa,—uma allusão remota que fosse, a medo, cheia de veneração e supplica. Era um inexplicavel, um monstro.