—Sim, creio que fique bom, desde que seja regularmente tratado. Póde ser que a doença não tenha antecedentes na familia. Mande ver um especialista. Mas não quer saber a minha interessante descoberta?
—Qual é?
—Talvez tenha parte na molestia uma pessoa sua conhecida, respondeu elle sorrindo.
—Quem?
—D. Sophia.
—Como assim?
—Elle fallou-me della com enthusiasmo, disse-me que era a mais esplendida mulher do mundo, e que a nomeára duqueza, por não poder nomeal-a imperatriz; mas que não brincassem com elle, que era capaz de fazer como o tio, divorciar-se e casar com ella. Conclui que terá tido paixão pela moça; mas pode ser alguma cousa mais. Falla della com tal intimidade, Sophia para aqui, Sophia para alli... Desculpe-me, mas eu creio que os dois se amaram...
—Oh! não!
—D. Fernanda, creio que se amaram. Que admira? Eu mal a conheço; a senhora parece que não a conhece ha muito tempo, nem viveu na intimidade della. Póde ser que se tivessem amado, e que alguma paixão violenta... Supponhamos que ella o mandasse pôr fóra de casa... É verdade que tem a mania das grandezas; mas tudo se póde juntar...
D. Fernanda não olhava para elle, vexada de lhe ouvir aquella supposição; evitava discutil-a pelo melindre do assumpto. Achava a suspeita sem fundamento, absurda, inverosimil; não chegaria a crer naquelle amor espurio, ainda que o ouvisse ao proprio Rubião. Um desvairado, em summa. Quando o não fosse, é ainda provavel que lhe não desse fé. Sim, não lhe daria fé. Não podia crer que Sophia houvesse amado aquelle homem, não por elle, mas por ella, tão correcta e pura. Era impossivel. Quiz defendel-a; mas, apezar da intimidade do Dr. Falcão, recuou segunda vez do assumpto, e repetiu a pergunta de ha pouco: