—Tu és bôa.
E um sentimento vago de esperança restituia á voz do deputado a brandura que perdera naquella grande crise moral. Os papeis sopravam-lhe animo. Toda aquella massa de estudos apparecia-lhe como a terra adubada e semeada aos olhos do lavrador. Não tardaria a grelar; o trabalho teria a recompensa; um dia mais tarde ou mais cedo, o grelo brotaria e a arvore daria fructos. Era justamente o que a mulher havia dito por outras palavras directas e proprias; mas só agora é que elle via a possibilidade da colheita. Lembrou-se das explosões de colera, de indignação, de desespero, das queixas de ha pouco, ficou vexado. Quiz rir, e fel-o mal. Ao jantar e ao café entreteve-se com os filhos, que naquella noite recolheram-se mais tarde. Nuno, que já andava no collegio, onde ouvira falar da mudança de gabinete, disse ao pae que queria ser ministro.
Theophilo ficou serio.
—Meu filho, disse elle, escolhe outra cousa, menos ministro.
—Diz que é bonito, papae; diz que anda de carro com soldado atraz.
—Pois eu te dou um carro.
—Papae já foi ministro?
Theophilo tentou sorrir e olhou para a mulher, que aproveitou a occasião para mandar deitar os filhos.
—Já, já fui ministro, respondeu o pae beijando a testa ao Nuno; mas não quero mais, é muito feio, dá trabalho. Tu has de ser capellão.
—Que é capellão?