D. Tonica foi buscar o retrato. Era uma photographia; representava um homem de meia edade, cabello curto, raro, olhando espantado para a gente, cara chupada, pescoço fino e paletot abotoado.

—Que lhe parece?

—Muito bem.

D. Tonica recebeu o retrato e fitou-o alguns instantes; mas, tirou logo os olhos, e deixou-se estar sentada, emquanto a imaginação saiu a esperar o Rodrigues. Chamava-se Rodrigues. Era mais baixo que ella,—cousa que o retrato não dava,—e empregado em uma repartição do ministerio da guerra. Viuvo, com dons filhos, um que estava no batalhão dos menores, outro que era tuberculoso,—doze annos,—condemnado á morte. Que importa? Era o noivo; todas as noites, ao recolher se, D. Tonica ajoelhava-se ante a imagem de Nossa Senhora, sua madrinha, agradecia-lhe o favor e pedia-lhe que a fizesse feliz. Sonhava já com um filho; havia de chamar-lhe Alvaro.


[CAPITULO CLXXXI]

Rubião escutou calado um discurso do major. O casamento era dalli a mez e meio; o noivo tinha que perfazer os arranjos da casa, não era capitalista, vivia do ordenado e recorrera a emprestimos. A casa era a mesma e não exigia trastes novos nem ricos; mas, ha sempre algumas necessidades... Em summa, dalli a mez e meio, ou pelo menos, cinco semanas, estariam unidos pelos santos laços do matrimonio.

—E fico eu livre do trambolho, concluiu o major.

—Oh! protestou Rubião.

A filha ria-se; estava acostumada ás graças do pae, e tão disposta á alegria que nada a vexava; ainda mesmo que o pae se referisse aos seus quarenta annos passados não lhe daria grande golpe. Todas as noivas têm quinze annos.