—Verá como elle ha de procural-a depois, com saudades disse Rubião a D. Tonica.
—Qual! Talvez eu me case tambem!
Rubião levantou-se repentino, e deu alguns passos; o major não viu a expressão do rosto, não percebeu que o espirito do homem ia talvez descarrilhar, e que elle mesmo o presentia. Disse-lhe que se sentasse, e contou-lhe os seus tempos de casado e de campanha. Quando chegou á narração da batalha de Monte-Caseros, com as marchas e contra-marchas proprias do seu discurso, tinha deante de si Napoleão III. Calado a principio, Rubião proferiu algumas palavras de applauso, fallou de Solferino, de Magenta, prometteu ao Sequeira uma condecoração. Pae e filha entre-olharam-se; o major disse que vinha muita chuva. Com effeito, escurecera um pouco. Era melhor que Rubião fosse, antes de cahir agua; não trouxera guarda-chuva, o delle era velho e unico...
—Ahi vem o meu coche, redarguiu Rubião tranquillamente.
—Não vem, foi esperal-o no Campo. Não vês dahi o coche, Tonica?
D. Tonica fez um gesto vago e sem vontade. Não queria mentir, mas tinha medo, e desejava que Rubião sahisse. Da casa era impossivel ver o Campo da Acclamação. Já então o pae pegava no Rubião pelo braço e o encaminhava para a porta.
—Volte amanhã, depois, quando quizer.
—Mas porque não heide esperar aqui até que venha o coche? perguntou Rubião. A imperatriz não póde apanhar chuva...
—A imperatriz já foi.
Fez mal. Eugenia fez muito mal. General... Para que hade o senhor ficar sempre em major? General, vi o retrato do seu genro; quero dar-lhe o meu. Mande ás Tulherias. Onde está o coche?