—Mamãe, deixa eu vêr...

—Qual vêr! anda!

Metteu-o em casa, e ficou á porta, a olhar para a rua. Rubião estacara o passo; ella pôde vel-o bem, com os seus gestos e fallares, o peito alto, e uma barretada que deu em volta.

—Os malucos teem graça, ás vezes, disse ella sorrindo a uma visinha.

Os rapazes continuavam a bradar e a rir, e Rubião foi andando, com o mesmo côro atraz de si. Deolindo, á porta da loja, vendo o grupo alongar-se, pedia chorosamente á mãe que o deixasse ir tambem, ou então que o levasse. Quando perdeu as esperanças, enfeixou todas as energias em um só gritosinho esganiçado:

—Ó gira!


[CAPITULO CLXXXIII]

A visinha riu-se. A mãe riu-se tambem. Confessou que o filho era uma péstesinha, um endiabrado, que não socegava; não podia perdel-o de vista. Qualquer distracção, estava na rua. E isto desde pequenino; tinha ainda dons annos, quando escapou de morrer em baixo de um carro, alli mesmo; esteve por um fio. Se não fosse um homem que passava, um senhor bem vestido, que acudiu depressa, até com perigo de vida, estaria morto e bem morto. Nisto o marido, que vinha pela calçada opposta, atravessou a ma, e interrompeu a conversação. Trazia o senho carregado, mal comprimentou a visinha, e entrou; a mulher foi ter com elle. Que era? O marido contou a surriada.

—Passou por aqui, disse ella.